Fabio Maca
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quem não sou

 

Não sei quem sou

– e, puxa, desculpe começar a bio assim, sem aquele início de impacto que precede a construção do herói.


fotos Pedro Pinho

 
 
 
 
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Até porque não
sou herói.

Aliás, será que sou calígrafo?

Bem, sou um pouco, pelo menos

Há 3 anos deixei uma bem-sucedida carreira de 15 anos na publicidade porque me apaixonei pelas letras.

 
 
 

 
 

Minha história com a caligrafia vem de 2009 - quando, em meio à um turbilhão pessoal, cismei que minha letra não evoluía junto com minha visão do mundo. A letra era algo estanque e isso virou um problema (vale dizer que sou de aquário e não raro ciscos viram dramas). 

 
 

 
 
 

Naquela noite,

convidei minha letra para jantar e nos apaixonamos. Nos divertimos muito e passamos a conviver diariamente, descobrindo um ao outro. Por muitas vezes brigamos por nem eu e nem ela sermos exatamente o que queremos um do outro, mas o amor tem uma borracha para cada coisa.

 
 
 

Hoje, meu trabalho tem muito mais a ver com essa experiência da letra pessoal do que com a caligrafia artística clássica. Aprendi e aprendo a distorcer e contorcer minhas letras. A entender o esqueleto que sustenta seus músculos. A saber quais sensações passam. A tirá-las de um lugar onde há verdade em mim.



É um trabalho com espaço para o sentir, para o caos e o acaso. Muito mais que a perfeição alva e silenciosa, o erro é o lugar onde eu e você fazemos contato. Não passei na fila do virtuosismo (não que eu não tivesse vontade), mas sou feliz em ser assim humano e em transmitir minhas humanidades naquilo que escrevo e na estética que isso assume.


 
 
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Não saber quem sou faz parte de mim.

Essa busca por um sentido mais amplo, profundo e verdadeiro do meu papel no mundo se reproduz diretamente nas minhas letras, que nunca se assentam por muito tempo.

 

Sou feliz

em não saber se me digo calígrafo ou poeta.

 
 
 

Muito obrigado por resistir até o final, principalmente, se você queria informações claras e objetivas, que contassem, por exemplo, se eu sei góticas. Bem, eu não sei góticas. De tudo, sei muito pouco e fico feliz que mesmo assim pude te alcançar.


 
 
 
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Mas amanhã é um bom dia

Porque amanhã
saberei mais. Prometo.